segunda-feira, 20 de maio de 2013

Barbosa diz que Congresso tem 'partidos de mentirinha'

Presidente do Supremo Tribunal Federal afirmou durante palestra que dirigentes partidários não têm interesse em ter "consistência ideológica”

Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília
Ministro Joaquim Barbosa, relator, durante  o julgamento do mensalão, em 23/10/2012

Ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (Ueslei Marcelino/Reuters)

Em mais um capítulo dos embates entre Judiciário e Legislativo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta segunda-feira que os partidos políticos são “de mentirinha” e afirmou que o eleitorado, em geral, “não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos”. Para uma plateia formada por estudantes universitários, o magistrado ainda declarou que o Congresso está atrofiado e que parlamentares, em situações específicas, cometem “excessos” e “saliências”.

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos”, disse Barbosa. Na palestra aos alunos de uma faculdade particular de Brasília, na manhã desta segunda-feira, ele foi duro ao afirmar que nem os partidos políticos nem os próprios dirigentes partidários “têm interesse em ter consistência programática ou ideológica”. “Querem o poder pelo poder”, resumiu ele.

Como exemplo da atrofia do Congresso Nacional, o presidente do STF explicou, por exemplo, que na recente votação da medida provisória 595, que redesenha o marco regulatório do setor portuário, o Senado Federal teve apenas um dia para analisar o tema antes que o texto perdesse a validade por falta de votação. “O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro, é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo", afirmou o ministro aos alunos. “O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo. Cabe a ele a iniciativa da lei”, completou.

Leia também: Comissão da Câmara aprova proposta que submete decisões do STF ao Congresso 
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Repercussão - Mais tarde, diante da má repercussão das declarações entre deputados e senadores, o ministro do STF providenciou uma nota de esclarecimento na qual informa que a palestra serviu como “um estímulo ao desenvolvimento do senso crítico e da cidadania daqueles jovens alunos”. Na nota, a assessoria do STF alega que “o ministro valeu-se da liberdade de ensinar para expor sua visão acadêmica sobre o sistema político brasileiro”. 

O tribunal nega que as manifestações de Joaquim Barbosa tivesse por objetivo criticar a atuação do Poder Legislativo ou dos parlamentares. “A fala do presidente do STF foi um exercício intelectual feito em um ambiente acadêmico e teve como objetivo traçar um panorama das atividades dos três poderes da República ao longo da nossa história republicana”, afirmou na nota o STF.

Reação - De Washington, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também criticou Barbosa. “Uma desrespeitosa declaração como essa não contribui para a harmonia constitucional que temos o dever supremo de observar”, disse. “O Parlamento e os partidos políticos, sustentáculos da democracia brasileira, e todos os seus integrantes, legitimados pelo voto popular, continuarão a exercer o pluralismo de pensamentos, palavras e ações em favor do Brasil mais justo e democrático”, afirmou.

Já o presidente da Mobilização Democrática (MD, que nasceu da fusão do PPS com o PMN), deputado Roberto Freire (SP), discordou de Barbosa, mas admitiu que algumas iniciativas do Congresso são equivocadas, como a Proposta de Emenda à Contituição (PEC) número 33, uma tentativa de setores do PT de amordaçar o Supremo. “Isso existe, infelizmente, por conta de algumas omissões do Congresso Nacional que, quando não se omite, atenta contra a separação de poderes”, disse o parlamentar. 

Voto distrital - Aos universitários, o ministro também voltou a criticar o sistema político brasileiro e defendeu o voto distrital. “O Poder Legislativo é composto, especialmente a Câmara dos Deputados, que é a mais numerosa, em grande parte por representantes pelos quais não nos sentimos representados por força do sistema eleitoral adotado no Brasil, que trunca as eleições, que não contribui para que tenhamos uma representação clara, legítima”, disse. Para ele, o voto distrital aproximaria o político do eleitor e permitiria que a população acompanhasse de perto as promessas e a atuação dos parlamentares.

"A solução seria a adoção do voto distrital, voto em que, para a Câmara dos Deputados, teríamos que dividir o país em 513 distritos, e cada cidadão residente em um distrito iria votar em uma pessoa que ele conheça, de quem ele possa cobrar", disse Barbosa.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/barbosa-diz-que-congresso-tem-partidos-de-mentirinha



FOTOS IMPACTANTES: o registro dos semblantes de soldados britânicos antes, durante e depois do horror na guerra do Afeganistão

 

Ben-Frater

O soldado raso Ben Frater, 21 anos, antes, durante e depois do Afeganistão: as expressões não mentem (Fotos: Lalage Snow)

A ideia é brilhante, e o resultado emocionante e revelador: registrar, em closes faciais, imagens de soldados britânicos antes, durante e depois de seu serviço no Afeganistão.

Pode-se ver a tragédia, a dor e o horror que a guerra causa nos jovens — mesmo soldados profissionais, como são os britânicos, e não recrutas de um serviço militar obrigatório.

O projeto, batizado We Are The Not Dead (Tradução livre: “Somos os Não-Mortos”), é de autoria da fotógrafa, jornalista e cineasta Lalage Snow, nascida em 1981 em Belfast, Irlanda do Norte. Atualmente residente em Londres, ela trabalhou na iniciativa durante oito meses do ano passado, quando morou em Cabul, no Afeganistão.

Imagens que falam

Steven-Gibson

Outro soldado raso, Steven Gibson, 29, que retornou com as costas lesionadas após uma explosão. É impressionante como em poucos meses os soldados parecem envelhecer

Em março, ela clicou e entrevistou uma série de integrantes do Primeiro Batalhão do Regimento Real da Escócia em Edimburgo, enquanto se preparavam para embarcar; repetiu o procedimento no final de junho, em Nad Ali, distrito na província afegã de Helmand, sudoeste do Afeganistão, captando os rostos e as impressões dos soldados em plena ação no front; de volta à Escócia, esteve mais uma vez com os mesmos militares em outubro, já com suas missões finalizadas.

Imagens costumam ser mais eficientes do que palavras quando a intenção é ilustrar os efeitos de uma guerra em um ser humano. No caso da série fotográfica criada por Snow, não foi diferente.

David-McLean

O "lance corporal" (posto do Exércio britânico entre soldado de primeira classe e cabo) David McLean, 27, que recebeu tiro na perna

Reparem as expressões ainda relativamente serenas dos soldados antes de embarcarem, a adrenalina e a tensão de seus olhares durante a temporada afegã e o desolamento vazio, sem contar o aspecto mais envelhecido, dos semblantes pós-conflito. A maioria, entre outras barbaridades, presenciou atentados a bomba, e alguns retornaram à Escócia feridos.

Depoimentos reveladores

Mesmo assim, não apenas os retratos “falam” em We Are The Not Dead. A justaposição dos depoimentos de antes, durante e depois também são muito reveladoras.

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O sargento Alexander McBroom, 24: "medo e apreensão"

Um dos combatentes, o sargento Alexander McBroom, por exemplo, diz em sua entrevista inicial: “não estou preocupado em ir, afinal é meu trabalho”.

Ao longo de sua estada no Afeganistão, porém, afirmaria: “experiência “abriu os meus olhos”. Após o retorno, mencionaria “o medo de sempre, a apreensão sobre o que acontecerá se eu for atingido por alguma bomba”.

Uma voz para os soldados

Steven-Anderson

O soldado raso Steven Anderson, 31

“Conforme a contagem de corpos dos militares britânicos crescia e as ramificações políticas da presença do Exército britânico no Afeganistão se complicavam, cada vez mais soldados sentiam que não tinham uma voz, ou que ao menos não estavam sendo ouvidos”, afirma Lalage Snow.

“O We Are The Not Dead é uma tentativa de dar a estes jovens homens e mulheres uma chance de falar”.

Confiram mais imagens:

Sean-Patterson

Outro soldado raso, Sean Patterson, 19

Mathew-Hogson

Mathew Hogson, 18, também soldado raso

Jo-Yavala

Jo Yavala, 28, idem

Chris-MacGregor

Chris MacGregor, 24, idem, ferido no joelho

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/fotos-impactantes-o-registro-dos-semblantes-de-soldados-britanicos-antes-durante-e-depois-de-combaterem-no-afeganistao/



Temer destitui a funcionaria pública que cuidava de seus negócios particulares em SP. OK. Ficam, porém, faltando duas coisas no caso. Confiram

 

O vice-presidente Michel  Temer: agora, faltam pedir desculpas e algo mais(Foto:  Gustavo Miranda / Ag. O Globo)

O vice-presidente Michel Temer: agora, faltam pedir desculpas e algo mais(Foto: Gustavo Miranda / Ag. O Globo)

Conforme publica hoje o site de VEJA, o vice-presidente da República, Michel Temer, destituiu a assessora Gilda Silva Sanchez, servidora pública que recebe mais de 7 mil reais por mês de salário, do cargo de administradora e gerente em uma sua empresa em São Paulo.

O fato veio a público por meio do site de VEJA, a Vice-Presidência apresentou a esfarrapadíssima desculpa de que a designação de Gilda fora um “lapso”, e agora anuncia seu afastamento das funções privadas, vedadas expressamente pelo inciso X do artigo 117 da lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.

Muito bem: dois meses e pouco depois de feito, o mal foi desfeito.

Há, contudo, dois poréns:

1. Falta o vice-presidente da República — até para dar exemplo — pedir desculpas pelo “lapso”.

2. Falta o Ministério Público fazer cumprir a lei e, com base nos artigos 121 a 142 da legislação citada, que trata das responsabilidades dos servidores públicos e das penalidades a serem eventualmente impostas aos servidores que violaram o diploma legal, investigar o caso e, dependendo dos resultados, pedir a aplicação de punição aos culpados.

Não custa lembrar que o vice-presidente também é um servidor público.

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/temer-destitui-a-funcionaria-publica-que-cuidava-de-seus-negocios-particulares-em-sp-ok-ficam-porem-faltando-duas-coisas-no-caso-confiram/



A militante Maria do Rosário

A irresponsabilidade dessa turma não tem limites. Não sabendo diferenciar entre o cargo que ocupa e a militância política, Maria do Rosário, a ministra, escreveu hoje em seu twitter que o boato sobre a bolsa família “deve ser da central de notícias da oposição”.

O deputado federal Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara, vai protocolar nesta segunda-feira (20) um pedido de convocação da ministra para que explique a frase.

“Tenho profunda admiração pela ministra e custo acreditar que frase de tamanha irresponsabilidade tenha partido dela. Estou apresentando na comissão de segurança um requerimento de convocação dela para que ela possa se explicar com relação a essa acusação. É uma oportunidade até pra ela se corrigir, se retratar”, afirmou Sampaio.

E pensar que é na pasta dessa irresponsável que está a Comissão da Verdade.

http://prosaepolitica.com.br/2013/05/20/a-militante-maria-do-rosario/



Juiz de paz do Pará pede demissão para não celebrar casamento LGBT

Juiz de paz alega que decisão do CNJ contraria "princípios celestiais".
Cartório de Redenção diz que não pode haver discriminação.

 

Gil Sóter e Ingo Müller Do G1 PA

 
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Juiz de paz José Gregório prefere se  demitir a celebrr casamento gay em Redenção,  no Pará (Foto: João Lúcio/Arquivo  pessoal)
Juiz de paz José Gregório prefere se demitir a
celebrar casamento gay em Redenção, no Pará.
(Foto: João Lúcio/Arquivo pessoal)

O juiz de paz do Cartório do Único Ofício de Redenção, sudeste do Pará, pediu demissão do cargo após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios a realizarem casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele alega que "o casamento homoafetivo fere os princípios celestiais”.

Nomeado para o cargo há sete anos, José Gregório Bento, 75 anos, há mais de quatro décadas é pastor da Igreja Assembleia de Deus, e trabalha como voluntário no cartório civil da cidade, fazendo conciliações e celebrando casamentos.

Segundo o pastor, ele protocolou a demissão porque se recusa a obedecer a decisão CNJ, publicada no último dia 14 de maio, que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

“Deus não admite isso. Ele acabou com Sodoma por causa desse tipo de comportamento”, declarou José Gregório. “Acho essa decisão horrível. Ela rompe com a constituição dos homens, mas não vai conseguir atingir a constituição celestial”, completa.

Entenda a decisão do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça, órgão de controle externo das atividades do Poder Judiciário, obrigou todos os cartórios do país a cumprirem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de maio de 2011, de realizar a união estável de casais do mesmo sexo. Além disso, obrigou a conversão da união em casamento e também a realização direta de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Leia mais

Segundo Gregório, ele recebeu a notificação de que não poderia se recusar a fazer casamentos homoafetivos nesta segunda-feira (20) mas afirmou que, desde a publicação da decisão da Justiça, já havia tomado a decisão de abrir mão do cargo. “Não há lei dos homens que me obrigue a fazer aquilo que contrarie os meus princípios”, alega. “Existe ai uma provocação para um grande tumulto no nosso país. Deus fez o homem e a mulher para a procriação, para reproduzir. Não sei onde vai chegar isso”, questiona.

O pastor afirma ainda que solicitou a demissão ao titular do cartório, Isaulino Pereira dos Santos Júnior, mas que o tabelião pediu que ele permanecesse no cargo. “Ele me pediu para eu ficar e disse que caso alguém solicitasse o pedido de casamento homoafetivo, outro juiz de paz seria chamado para realizá-lo. Mas aqui, graças a Deus,  ainda não chegou ninguém pedindo o casamento homoafetivo".

Cartório nega discriminação
Procurado pelo G1, o titular do cartório civil de Redenção negou a versão do pastor. “De fato, ele pediu afastamento do cargo na quarta-feira passada (15), alegando que iria mudar de cidade para cuidar da esposa que estaria internada na UTI de Goiânia, mas não falou nada sobre se recusar a fazer casamentos entre pessoas do mesmo sexo”, alegou Isaulino.

Ainda de acordo com o titular do cartório, caso o pastor tivesse pedido exoneração porque não aceita o casamento homoafetivo, ele seria imediatamente afastado do cargo. “Eu iria acatar o afastamento, porque não pode haver discriminação. Caso ele queira sair por esse motivo, eu vou solicitar imediatamente ao juiz da comarca outro juiz de paz”, afirma Santos Júnior, que garante ainda que o pastor não entregou ao cartório nenhuma solicitação oficial de demissão do cargo.

Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa), Heyder Ferreira, o juiz de paz pode pedir demissão se discordar de uma decisão do CNJ. “Se ele continuar no cargo, é obrigado a cumprir a determinação, mas por ser voluntário, não podemos impor. O cartorário, em compensação, é obrigado a cumprir a determinação”, explica.

De acordo com o último levantamento realizado pelo IBGE, no Censo 2010, 1.782 pessoas declararam viver em casamento entre pessoas do mesmo sexo no Pará.

Esta reportagem foi sugerida por um leitor. Envie também sua sugestão através do VC no G1.